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Os Grammys

No dia 3 de novembro de 2005 a canção "Ninguém faz idéia", parceria de Ivan Santos com Lenine, ganhou em Los Angeles o Grammy Latino de "Melhor canção brasileira em língua portuguesa". Nesse dia muita gente leu pela primeira vez seu nome em muitos jornais brasileiros e alguns da América. Mas Ivan Santos tem atrás de si uma longa carreira, que começou nos anos 70 na Paraíba, Nordeste do Brasil.

Em 2012 novamente uma parceria de Ivan e Lenine, "Amor é pra quem ama", é indicada para o Grammy Latino na mesma categoria que em 2005.

Grampeado - um CD de "World Pop"

”Misturar rítmos brasileiros aos outros rítmos do planeta não é nenhuma novidade. A maneira como essa mistura se dá é que pode tornar uma música interessante“.

E é exatamente isso que torna as canções do novo cd de Ivan Santos, ”Grampeado“, tão interessantes; elas são o resultado de uma mistura sincera e emocionada. Uma original reinvenção de sons e palavras. Canções contemporâneas e de cara própria mas conectadas à história da música popular universal. Música que escuta-se uma vez e já tornou-se necessária. Ivan trabalha para que a música brasileira continue sendo ponto de encontro de várias culturas.

Trazer a tradição para os dias de hoje e de uma maneira divertida é o principal objetivo desse cd. O núcleo são a voz e o violão de Ivan. Harmonias 70% simples com 30% de sofisticação permitem que escute-se esse cd com a cabeça e também com o resto do corpo.

Na base das composições estão os rítmos do Nordeste e o samba. Sobre essa base, arranjos de sonoridade original. E o ouvinte sente-se próximo desse ”som desconhecido“ desde a primeira audição. 

Vários convidados contribuem para tornar essas canções ainda mais interessantes.
O parceiro Lenine aparece em um dueto de muita energia.
Outro dueto, com o cantor Silvério Pessoa, dá um carater de ”locomotiva“ à canção que eles dividem.
A sessão rítmica da banda ”Pedro Luis e a Parede“, autênticos ”samba players“ da nova geração do Rio de Janeiro, aparece ao lado de Flávio Guimarães – virtuoso da harmônica – em um bem humorado e denso Samba-Blues.
Em duas canções o percussionista Jam da Silva dá seu toque, que soa como um fino retoque. 
O carioca Plínio Profeta é o responsável pela produção da canção que dá nome ao cd. Outro carioca, Marcos Kuzka Cunha, produziu a faixa Sinal Feliz. O restante do cd foi produzido por Ivan, com a colaboração de Geovany da Silveira.

Os temas das letras são como as formas das melodias: diversos.
O poeta Bráulio Tavares escreveu:
"O "Cabo" Ivan é um dos meus mestres nessa ciência difícil de encaixar palavras e notas, e vejo que cada vez ele refina mais a arte de fazer com que a palavra, escolhida depois de considerar dez alternativas, pareça a melhor possível ou até mesmo a única possibilidade.

Paraibano de Pernambuco

Ivan Santos sempre afirma que nasceu duas vezes; uma em Pernambuco e outra na Paraíba.
Na primeira, em Recife, estavam por perto as laursas, os caboclinhos, a vitrola eclética do pai, o rock'n'roll no rádio das vizinhas, a mãe cantando a trágica "Farrapo humano" para ele dormir. A cultura do calor urbano.
Aos 11 anos, em João Pessoa, aconteceu o segundo nascimento: um mergulho na província, no universo rural dos repentistas, na mitologia das feiras...e nos quadrinhos e livros de aventuras - monitores trazendo outros mundos para dentro da cidade pequena.

No entanto, entre esses dois nascimentos houve uma pausa marcante, um entreato radical: dois anos em São Paulo. A metrópole fria com seus homens de gabardine e chapéu de aba caída - que até hoje ele lembra em preto e branco - como se a cidade fosse um gibi noir.

O Início

Com treze anos Ivan comprou a um amigo vizinho uma gaita Hering usada. Com 14 ganhou seu primeiro violão, um velho Giannini de tampo cintilante, comprado pelo pai na barbearia. Música era a brincadeira da temporada e iê-iê- iê o que estava no ar. Wallace, o garoto da gaita, lhe mostrou os primeiros acordes.

A curiosidade atiçada pelas leituras infantis e a certeza, confirmada pelos tempos em S.Paulo, de que havia outros mundos, atiçaram a vontade de viajar no adolescente. No começo eram trips com o coral da escola, o time de basquete ou com a universitária Operação Mauá. Depois vieram as viagens com os grupos de teatro e por fim com os grupos de música.

1969 - Conjunto de iê-iê-iê da Escola Técnica Federal da Paraíba. Repertório: versões dos Beatles, Jorge Ben e músicas de São João. Ivan toca baixo.
Sopa de Bruxa é seu segundo grupo; ele, Zé Wagner e Diniz. O trio compõe o próprio material, com letras do parceiro Nando. Adoram harmonias vocais, tocam violão-rítmo em uníssono e ganham festival de música de escola secundária.

Aí veio a contracultura, o underground pessoense, o contato com as coisas do inconsciente, os filmes da sessão de arte, os shows de artistas nacionais no Teatro Santa Roza. O encontro com Pedro Osmar, Alex Madureira, Mozart, Jarbas Mariz, Bráulio Tavares, Fuba, Aranha, Zé Ramalho. Depois veio o pessoal de Recife: Paulo Rafael, Zé Rocha, Lenine.


1979 - 1ª Debandada

Agora é 1979 e Ivan Santos acabou de largar a universidade, o trabalho de desenhista arquitetônico e de assumir pelos próximos 13 anos o aventureiro papel de músico-cantor-compositor, e até ator, na cidade do Rio de Janeiro. A viagem até o Rio levará 8 meses, um longo Circuito Universitário com o Show Falando Música. Ele, Tadeu Mathias e o percussionista Firmino.

Nos primeiros 6 anos de Rio dividiu música e casa com os parceiros e amigos Alex Madureira, Lenine e o escritor Júlio Ludemir. Pouco depois entra em cena Lula Queiroga. Junto com ele, Bráulio Tavares e Lenine, Ivan formou o grupo de compositores-cantores Wolf Gang (a gang do lobo). Hoje esses amigos ocupam posições significativas na cultura brasileira contemporânea, Ivan migrou, mas as parcerias continuam ativas; nos cds de Lenine "Olho de Peixe", "Falange Canibal", "Lenine inCité", "Labiata" e no mais recente "Chão" há exemplos disso ("É mais além", "Do it", "Ninguém faz idéia", "Sonhei", "Magra", "Amor é pra quem ama", "Seres estranhos"). "Do it", inclusive, foi uma das 3 indicadas ao prêmio de "melhor canção" no "Prêmio Tim de Música" de 2005.

No final dos 80, enquanto foi roadie (ele e Berna Ceppas) de banda de rock pós-adolescente, compôs com Big Abreu e Dodo Ferreira alguns dos hits do João Penca e seus Miquinhos Amestrados. Foi a época de aprender rockabilly e palhaçada. Isso resultou em músicas gravadas por Erasmo Carlos, Léo Jaime e Paula Toller, abertura e trilha de novela da Globo (Sexo dos Anjos e Vamp), e até nas canções do Splish Splash - pastiche musical tipo-Grease estrelado por Cláudia Raia.
Nos próximos anos stars brasileiros como Ney Matogrosso e Elba Ramalho virão a gravar composições de Ivan.

"Uma Banda chamada Cavallo" foi o último projeto do qual tomou parte antes de sair do país. Aí a idéia era interpretar de uma maneira "funk" suas composições não obrigatoriamente "funk". Os músicos eram: Antônio Saraiva, Newton Cardoso, Berna Ceppas, Marcelo Lobato, Zé Bruno e Nelson Duriez. Ivan tocava uma das guitarras e cantava.


1992 - 2ª Debandada


...Vivia na pindaíba / Pelos cantos feito aranha / Um dia fiz a façanha / Olhei os preços da TAP / A grana só deu pra LAP / E vim parar na Alemanha (trecho de Foguete Suburbano).

A ida para a Alemanha é uma espécie de desconstrução cultural e artística a la Miró. Uma extrema insatisfação e o chute no pau da barraca. É reaprender a falar, reaprender a ser visto e escutado. É se ver de outro ponto de fuga. É o corte do cordão umbelical pela terceira vez na tentativa de corrigir o foco do quadro do mundo.

Dezenove anos on the road. Quase toda a Alemanha, parte da França e Suiça, Bélgica, Turquia, Croácia. Quase todos tipos de palco e público. Colegas da África, Balcãs, Caribe, os ingleses, os asiáticos, os russos. E mais as viagens pela Turquia e por outras culturas dando seqüência às viagens pelo Brasil. Fazer música em todos os lugares é meio como fazer música em lugar nenhum, a exata localização geográfica perde sua grande importância. Daí o título do primeiro cd: Songs from Nowhere.


Os textos

Ivan é o poeta que usa suas palavras para imprimir emoções que de outra forma não conseguiria. Um exemplo é a letra de Lady Multimelancólica (canção usada pela coreógrafa alemã Pina Bausch no seu espetáculo Água) que poderia ser lida como filme, um curta, onde em apenas 8 versos ele descreve o impacto e as divagações que lhe provoca a entrada de uma mulher de aparência enigmática num bar onde ele já se prepara para sair.



O Show

Entretenimento bem humorado e novas informações são os ingredientes básicos da receita desse show. Ao vivo a banda toca, além das canções do cd, outras composições de Ivan e algumas recriações de músicas tradicionais. O baião e o coco (rítmos tradicionais do Nordeste) estão na base de quase tudo, mas acontece muito mais do que isso. O beat do Funk, do Reggae e do Rock podem ser percebidos naturalmente misturados às batidas brasileiras. Sua banda não tem um "som próprio", mas "vários sons próprios". Ao vivo os músicos revezam-se em diferentes instrumentos conduzindo o público através de várias atmosferas sonoras. É um espetáculo ritmicamente muito rico que nunca cai na monotonia. Foi isso o que se viu nas apresentações por quase toda Alemanha e países como França, Suíça, Áustria, Turquia, Croácia...
É um repertório bem humorado de música para se ouvir com todas as partes do corpo. A cabeça incluída.



A Banda

Ivan Santos: Violão, guitarra, voz

Geovany da Silveira: Baixo, percussão, cavaco
Geovany é produtor musical e junto com Ivan assina a produção do CD "Grampeado".


Márcio Tubino: Violão, teclado, percussão, sopros.
Márcio é uma das figuras importantes na música instrumental brasileira feita na Europa. O último cd do seu antigo grupo "Raizes de pedra" foi gravado ao vivo com a participação de Egberto Gismonti.


Angela Frontera: Bateria
Angela é uma das mais requisitadas na cena. Desde as bandas de música pop até artistas da cena instrumental já contaram com sua precisão e suingue.

 
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